Nos bastidores de um espectáculo que encanta o seu público, está a vergonha de profissionais sem direitos, está a angústia de quem não tem um limite no horário de trabalho, de quem não sabe quando pode tirar férias, de quem não sabe se as férias são para durar indefinidamente, de quem não tem direito a subsídio de desemprego nem a reforma, de quem não pode tirar licença de maternidade ou de paternidade, de quem é refém dos recibos verdes, de quem trabalha à tarefa, de quem não tem ordenado fixo ao final do mês…

O Estatuto do artista estará brevemente em discussão no Parlamento. Os dois novos tipos de contrato de trabalho, de intermitente e de grupo, são algumas das novidades do documento. Ainda não percebi bem o que para aí vem… são muitas as especificidades do trabalho artístico que não se coadunam com as funções ditas de normais. Além do espectáculo em si, há que contar com toda uma produção que lhe antecede.

A ver vamos se é desta que aos artistas do espectáculo é consagrado o direito a serem tratados enquanto profissionais da arte e não como profissionais sazonais que trabalham ao sabor de vontades alheias.